A hora da refeição costuma ser um dos momentos de maior tensão para famílias que lidam com a seletividade alimentar ou com sensibilidade sensorial. Diante do prato intacto e do receio de que a criança não se alimente bem, é natural que os pais e cuidadores recorram a estratégias intuitivas, como chantagens, insistência ou comparações.
No entanto, no contexto da fonoaudiologia e da integração sensorial, a linguagem utilizada à mesa, desempenha um papel decisivo. Frases carregadas de pressão aumentam o nível de cortisol (hormônio do estresse), ativam a resposta de “luta ou fuga” da criança e fecham a porta para a exploração de novos alimentos.
Para transformar a mesa em um ambiente segura, reunimos um guia prático sobre como adaptar a sua comunicação e reduzir a estresse na hora de comer.
3 expressões para Evitar à mesa (e por que elas não funcionam)
- “Só mais uma colherzinha para a mamãe ficar feliz”. O impacto: Coloca uma responsabilidade emocional sobre a criança. O ato de comer deve responder aos sinais internos de fome e saciedade, não ao desejo de agradar adultos.
- “Se você comer os legumas, ganha a sobremesa“. O impacto: Transforma o prato principaç em uma “punição” ou obrigação chata e eleva a sobremesa ao status de “recompensa dos sonhos”, reforçando a rejeição ao alimento saudável.
- “Olha como seu irmão/amiguinho comeu tudo”. O impacto: Gera comparação e ansiedade. Cada criança possui um tempo de processamento sensorial e um histórico de desenvolvimento único.
O que falar então? Comunicação Neutra e Encorajadora.
Em vez de focar no ato de engolir, converse sobre o alimento, explorando sua cor, forma, textura e som, sem exigir que a criança o coma imediatamente. Exemplos:
- Troque o : “Coma a cenoura!” Por: “Essa cenoura faz um barulho bem crocante quando a gente morde. Quer ouvir o som que ela faz? “
- Troque o: “Come, está uma delícia”. Por: “Esse brócolis parece uma arvorezinha. Ele é macio ou durinho?”
- Toque o: “Você nem provou para saber se gosta”. Por: “Você não precisa comer agora se não quiser. Pode deixar o alimento ai no canto do prato ou apertar com o garfo para ver como é por dentro.”
3 Pilares para Reduzir a Pressão na Rotina
- Respeite as Etapas da Escalada Alimentar: Antes de engolir, a criança precisa tolerar a presença do alimento na mesa, olhar, cheirar, tocar e interagir com ele. Se ela apenas encostou o garfo no alimento novo, comemore silenciosamente, pois isso já é um progresso real.
- Mantenha a Neutralidade Emocional: Tente não demosntrar frustração excessiva quando o prato for recusado, nem uma euforia exagerada quando a criança aceitar uma mordida. A naturalidade mostra que a refeição é um evento normal e seguro da rotina.
- Garantia de um alimento seguro: Certifique-se de que no prato sempre haja pelo menos um ítem que você sabe que seu filho aceita bem. Isso reduz a ansiedade de antecipação e garante que ele não se sinta travado diante de novidades.
Acolhimento e Orientação para a Sua Família
Ajustar a forma como nos comunicamos à mesa exige treino, paciência e autocuidado. Mudar o clima das refeições não acontece de um dia para o outro, mas pequenos ajustes na fala, geram grandes alívios na rotina familiar.
Como fonoaudióloga especialista em desenvolvimento infantil e seletividade alimentar, vivenciando a maternidade atípica diariamente, sei o quenato o ambiente e a segurança emocional são determinantes para o avanço da criança.
Qual frase você mais escutava na infância ou percebe que acaba falando no piloto automático por ai? Deixe seu comentário abaixo ou mande uma mensagem para conversarmos.